PEP 3

PEP 3

O PEP3 foi desenvolvido para avaliar os pontos fortes e fracos da aprendizagem desigual que caracteriza o espectro do autismo e deficiências de desenvolvimento relacionadas, em crianças de 2 a 7 anos, com ou sem linguagem verbal (crianças antes consideradas como não testáveis ou pela pobreza e/ou falta de linguagem verbal ou por dificuldades com o entendimento de ordens). É um teste com instruções são claras, objetivas e de fácil entendimento. Por meio da aplicabilidade dele, é possível se obter informações importantes sobre níveis de habilidade de desenvolvimento e úteis para se fazer o diagnóstico de TEA, assim como se determinar a severidade. Ele também serve exatamente para ajudar no plano de assistência individualizado, seja no ambiente clínico como no ambiente pedagógico.

Compreender dados históricos e, consequentemente, o processo de evolução da ciência, é imprescindível para não incorrer em riscos. É preciso entender as razões pelas quais as aplicações do PEP e do PEP-R NÃO são mais recomendadas! 

O Perfil Psico-educacional original (Schopler & Reichler, 1979) foi desenvolvido pela Universidade da Carolina do Norte, no Projeto de Pesquisa de Criança do Departamento de Psiquiatria, entre 1971 e 1976. Esse projeto era um derivado de um modelo experimental descrito como “Pais como Co-terapeutas no Tratamento de Crianças Psicóticas” (Schopler & Reichler, 1971). O PEP tem sido usado em nosso programa estadual, Divisão do TEACCH, desde 1979 e sua validade clínica tem sido continuamente demonstrada durante esse período extenso.

Durante os 20 anos do uso do PEP na Carolina do Norte, materiais e procedimentos de teste tem sido improvisados e modificados pela tentativa e erro para determinar quais são mais efetivos com crianças que têm deficiências de desenvolvimento. Durante esses 20 anos o PEP foi aperfeiçoado ao longo do tempo, pois surgiu como uma necessidade de se considerar as peculiaridades do comportamento, identificando tanto as áreas de habilidades quanto as deficitárias. No início foi criado o PEP, posteriormente após muito estudos surgiu o PEP- R, posteriormente foi criado o PEP 3 em uma versão melhorada e com um questionário para serem aplicados com os cuidadores. 

Atualmente, o PEP 3 é o único teste realmente eficaz para avaliar adequadamente indivíduos com TEA.  

O PEP 3 é composto de duas partes principais (Área de Desempenho e Relatório de Cuidador). Na área de desempenho, temos 10 subtestes, sendo 6 que medem habilidades de desenvolvimento e 4 que medem comportamentos não-adaptativos. Esses subtestes são combinados para formar três compostos: Comunicação, Coordenação motora e Comportamentos não-adaptativos. Na parte do Relatório do cuidador, o pai/a mãe registra observações. Um subteste mede habilidades de desenvolvimento e dois subtestes medem comportamentos não-adaptativos. 

Os Subtestes Desenvolvimentais são:

Subteste 1: Cognitiva Verbal/Pré-verbal. Os itens medem a solução de problemas, a nomeação verbal, a seqüenciação e a integração visual-motora. 

Subteste 2: Linguagem Expressiva. mede a habilidade da criança em se expressar falando ou gesticulando.

Subteste 3: Linguagem Receptiva. mede a habilidade da criança em entender a língua falada.

Subteste 4: Coordenação Motora fina. Esses itens testam habilidades que são necessárias para auto-suficiência e que são normalmente dominados pela criança até os 3 ou 4 anos. 

Subteste 5: Coordenação Motora grossa. avalia a habilidade da criança em controlar diferentes partes de seu corpo. 

Subteste 6: Imitação Visual-Motora. Avalia a habilidade da criança de imitar tarefas visuais e motoras. Itens incluem imitação de tarefas motoras fina e grossa e imitação do uso correto de objetos. 

 Os Subtestes de Comportamento Não-adaptativo são:

Subteste 7: Expressão Afetiva. Itens incluem usar expressões faciais ou posturas corporais para revelar sentimentos, demonstrar um nível apropriado de medo durante a sessão de testes e prazer em brincar de cócegas com o examinador.

Subteste 8: Reciprocidade Social. Mede as interações sociais entre a criança e outros. contato de olho.

Subteste 9: Comportamentos Motores Característicos. Itens de exemplo medem como as crianças interagem com os materiais de testes, reagem a sons e experimentam comidas. 

Subteste 10: Comportamentos Verbais Característicos. Itens de exemplo incluem repetir palavras ou frases, vociferar sons sem sentido ou ininteligíveis e usar linguagem ou jargão idiossincráticos. 


Os Compostos são:

Composto de Comunicação -  O composto de Comunicação mede a habilidade da criança de falar, ouvir, ler e escrever. Os subtestes de Cognitiva Verbal/Pré-Verbal, Linguagem Expressiva e Linguagem Receptiva contribuem para a avaliação do composto.

Composto Motor - O composto Motor mede a competência motora, incluindo coordenação olho-mão e movimentos motores grossa. 

Composto dos Comportamentos Não-adaptativos - O composto dos Comportamentos Não-adaptativos mede os comportamentos inapropriados de uma criança em interações sociais, linguagem idiossincrática e comportamentos repetitivos e estereotipados. Os subtestes da Expressão Afetiva, Reciprocidade Social, Comportamentos Motores Característicos e Comportamentos Verbais Característicos compõe este composto. 


Relatório do Cuidador

Pais ou cuidadores completam o Relatório do cuidador baseado em suas observações diárias da criança. Essas observações são particularmente importantes pois os cuidadores servem como membros do time de tratamento.

 O Relatório do Cuidador contém duas seções nas quais o pajem estima (a) o nível de desenvolvimento atual da criança em várias áreas e (b) o grau dos problemas nas diferentes categorias de diagnóstico. A informação dessas duas seções pode ser usada para auxiliar o examinador a tomar decisões clínicas sobre a criança. Além disso, o Relatório do  Cuidador contém três subtestes. São eles:

Comportamentos Problemáticos: mede comportamentos que ocorrem freqüentemente no espectro do autismo. Exemplos de itens incluem contato de olho prejudicado, linguagem atrasada e linguagem repetitiva ou peculiar.

Auto-cuidado Pessoal: avalia níveis de habilidade com respeito a ir ao banheiro, comer, beber, vestir-se e dormir. 

Comportamento Adaptativo: dá amostras das interações da criança com outras crianças, atividades, objetos e outras pessoas. 


O PEP 3 deve ser ministrado por profissional devidamente capacitado, em um ambiente estruturado e  com uso de kit próprio de testagem. Durante a administração do teste, o avaliador deve manter o kit de teste fora do alcance da criança para que a criança não se distraia com os materiais. Depois de cada tarefa, o avaliador deve colocar o material usado dentro de uma caixa situada ao lado direito da criança. Além disso, o avaliador deve registrar a resposta logo após a execução da criança. Avaliadores não precisam aderir à uma seqüência padrão quando estiverem administrando os itens do PEP 3, apesar de que itens de teste geralmente devam ser administrados em ordem numérica. Números mínimos e máximos não são usados; no entanto, o avaliador pode creditar itens que são claramente fáceis demais para uma criança em particular, pulando sua administração. Ele  também pode ser flexível na administração de cada item, mas deve aderir às instruções de administração de cada item nos termos de se se deve usar instruções verbais, gestos, demonstrações e/ou orientação. 

Todos os itens são pontuados como 0, 1 ou 2. Uma descrição completa dos critérios de pontuação para cada item pode ser encontrada no Guia para Administração do Item, dado que consta no Manual.

Numa análise normativa, essas pontuações são somadas e convertidas em pontuações padrão e ranks percentuais, que servem a muitos propósitos, tais como auxiliar no diagnóstico, estabelecer níveis de desenvolvimento/adaptativos e fazer comparações da criança com outras crianças autistas. Pontuação dos itens nos subtestes de comportamento não-adaptativo é baseada em observações clínicas e julgamento. O sistema de pontuação para esses itens é dividido nos seguintes três níveis: apropriado (pontuação = 2 - o comportamento é apropriado à idade), moderado (pontuação = 1 - o comportamento é um pouco ou moderadamente incomum) e severo  (pontuação = 0 - a intensidade, qualidade e as manifestações do comportamento são exageradas e interferem; esses comportamentos devem ser, sem equivoco, peculiares ou disfuncionais). O termo apropriado é utilizado para indicar a grande variedade de comportamentos apresentados por crianças comuns em certas idades. O examinador deve ter em mente comportamentos apropriados à idade e a idade mental da criança quando estiver avaliando esses itens. Por esse motivo, o examinador deve estar familiarizado com os padrões de comportamento normais para diferentes grupos de idade. 


Informação Importante para se Considerar Antes de Tomar as Decisões de Diagnóstico 

Os testes ou pontuações padrão NÃO devem ser usadas sozinhas para uma declaração definitiva sobre o diagnóstico. Eles apenas fornecem dados sobre características julgadas importantes para esclarecer a possibilidade de autismo. Assim, os resultados do PEP 3 não devem ser a única fonte de informação usada para diagnosticar uma criança como tendo autismo. 

Para crianças acima de 7 anos o PEP 3 tem grande importância para dar subsídios para professores e técnicos elaborarem um plano de trabalho educacional individual que vá de encontro a realidade e necessidades desses alunos. No teste é apontado 3 escores numéricos como por exemplo 2 (realizou), 1 (realizou parcialmente) e zero (Não realizou). O professor terá as informações de quais são as habilidades e saberes do seu aluno como também habilidades que realizou parcialmente e que o aluno tem condições de aprender (pontuação um). Um outro fator que veio acrescentar no modelo do PEP 3 está relacionado aos questionários que são aplicados aos cuidadores dando assim condições de saber se esse cuidador tem a real noção de como é esse indivíduo em seu todo e a partir dessas informações pode  ser realizado um trabalho que vá de encontro as necessidades dessa família.

Como foi descrito acima o PEP 3 é uma ferramenta científica no qual podemos comprovar os resultados obtidos. Estudiosos ainda continuam suas pesquisas pois a ciência não é algo estático e sim encontra-se cada vez mais em  transformação.